Conheça os Guggenheim e sua relação com o mundo da arte

Conheça os Guggenheim e sua relação com o mundo da arte

Escrito em 12/08/2022

Aqui narramos parte da história de Solomon e Peggy Guggenheim, tio e sobrinha que fizeram história no mundo da arte
Museu Guggenheim de Nova York.(Reprodução)
Museu Guggenheim de Nova York. (Reprodução)

Há 85 anos, Solomon Robert Guggenheim fundava a Fundação Guggenheim, que viria a se tornar um dos museus mais famosos do mundo, dentro de um dos prédios mais icônicos de Nova York. Se você é ligada ao mundo das artes, é provável que conheça o museu e que também já tenha pelo menos escutado falar da sobrinha de seu fundador, Peggy Guggenheim, uma das maiores colecionadoras de arte da história. Mas, afinal, quem são eles?

Os Guggenheim são uma família endinheirada, de origem judaica, descendentes do patriarca Meyer Guggenheim, que emigrou da Suíça para os Estados Unidos em meados do século XIX. Meyer começou sua carreira de empresário na indústria de importação, mas migrou anos depois para o ramo da mineração e da fundição, que acabaram por deixá-lo muito rico. Durante seu casamento com Bárbara Myers, quem ele conhece a bordo do navio rumo aos Estados Unidos, ele teve sete filhos entre os quais estão Solomon e Benjamin, pai de Peggy. 

Peggy Guggenheim em Veneza.
Peggy Guggenheim em Veneza.

Os filhos de Meyer deram continuidade aos negócios da família e construíram cada um sua própria família. Benjamin casa-se com Florette Seligman e com ela tem três filhas: Benita Rosalind, Marguerite (Peggy) e Barbara Hazel. Solomon se casa com Irene Rothschild e com ela também tem três filhas: Eleanor May, Gertrude e Bárbara. Neste momento, como chefes de família, ambos seguem suas vidas normalmente até 1912, quando a história fica surpreendentemente trágica! 

Em 14 de abril de 1912, Benjamin Guggenheim estava a bordo do Titanic junto a seu criado, Victor Giglio, e sua amante, Léontine Aubart, que também estava acompanhada de sua criada, Emma Sagesser. Naquela noite, Benjamin e Victor dormiam em uma cabine quando foram acordados por Léontine e Emma, que sentiram a histórica colisão com o iceberg. Para quem viu o filme (quem não viu?) com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, será fácil prever o fim: as moças escaparam nos botes enquanto Benjamin e Victor afundaram “como cavalheiros”. Inclusive, Benjamin é retratado no filme pelo ator Michael Ensign, já que era provavelmente uma das pessoas mais proeminentes a bordo do navio. 

Cena do filme Titanic, de 1997, na qual o ator Michael Ensing faz o papel de Benjamin Guggenheim.
Cena do filme Titanic, de 1997, na qual o ator Michael Ensing faz o papel de Benjamin Guggenheim

A partir deste fato a vida de Peggy, então uma menina de 14 anos, muda para sempre. Em primeiro lugar porque perdeu o pai, em segundo porque com pouca idade ela se torna herdeira de uma enorme fortuna, o que mais tarde lhe permitiria começar o seu incansável e vitalício ato de colecionar obras de arte que a encantassem, além de começar a atuar como mecenas também. Alguns anos mais tarde, em 1919, Solomon Guggenheim se aposenta integralmente para dedicar-se à colecionar obras de arte moderna e, assim, sobrinha e tio, cada um à sua maneira, começavam suas longas e bem-sucedidas jornadas pelo universo da arte que se cruzaria muitas vezes nas décadas seguintes. 

Em 1922, aos 24 anos, Peggy se casa com o escritor Laurence Vail, com quem tem seus dois filhos, e continua a seguir sua vida de “bourgeoise” até se separar em 1930. Divorciada, ela muda-se para Paris, onde sua relação com a arte vai se estreitando cada vez mais. No fim da década de 1930 acontece uma sucessão de fatos importantes para a trajetória artsy da família: em 1937  Solomon Guggenheim funda a Fundação que leva o nome da família com o objetivo de fomentar a arte moderna, em 1938, em Paris, Peggy inaugura sua primeira galeria de arte moderna e 1939 o Museu de Pinturas Não-Objetivas é inaugurado pela fundação em Nova York. 

Solomon Guggenheim.
Solomon Guggenheim

Já no início da década de 1940, Peggy retorna a Nova York onde se casa com o pintor surrealista Max Ernst e onde abre sua segunda galeria, intitulada Art of this century (arte deste século). Aqui ela consolida também a sua atividade de mecenato, já que foi nesta galeria que muitos artistas apoiados por Peggy fizeram suas primeiras exposições individuais. Entre eles estão alguns dos maiores nomes da arte moderna como Jackson Pollock, Mark Rothko, Robert Motherwell e Hans Hofmann. 

Enquanto isso, a coleção de Solomon estava cada vez maior e repleta de trabalhos de artistas como Paul Klee, Wassily Kandinsky e Marc Chagall. Assim sendo, a necessidade de um prédio maior e construído exclusivamente para abrigar esta coleção levou ao comissionamento do renomado arquiteto Frank Lloyd Wright, responsável pelo projeto do icônico prédio do Guggenheim de Nova York, que seria inaugurado somente em 1959.

Palazzo Venier dei Leoni, em Veneza.
Palazzo Venier dei Leoni, em Veneza.

Uma década antes, entretanto, Peggy já havia se transferido para Veneza, após seu divorcio com Ernst. Lá, depois de apresentar uma exposição histórica de pinturas surrealistas, abstratas, cubistas e esculturas, como convidada no Pavilhão da Grécia na Bienal de 1948, ela adquire o Palazzo Venier dei Leoni, às margens do grande canal da cidade. O palácio se tornou a morada da coleção de Peggy, que foi aberta ao público pela primeira vez em 1949, mesmo ano em que Solomon morreu.

Nos anos que se seguem, Peggy segue fazendo aquisições de obras que continuam a engrandecer sua coleção. O Museu de Nova York torna-se um dos mais importantes do mundo e a Fundação expande suas atividades. Em 1976, Peggy doa toda sua coleção e o palácio em Veneza para a fundação Solomon R. Guggenheim, que passa a administrar e a dirigir a coleção depois de sua morte, em 1979. 

Guggenheim Bilbao.
Guggenheim Bilbao.

No fim da década de 1990, o Museu Guggenheim de Bilbao é inaugurado na Espanha, em um edifício ainda mais disruptivo que o de Nova York, projetado por Frank Gehry. Também em 1997, o Museu Guggenheim da Alemanha é inaugurado em Berlim, fruto de uma parceria com o Deutsche Bank, que também detém uma ampla e importante coleção de arte. Em 2006, o Guggenheim de Abu Dhabi foi acordado e o projeto foi confiado, novamente, às mãos engenhosas de Frank Gehry. Segundo as estimativas dos diretores da Fundação Guggenheim, o ambicioso prédio, que ficará localizado na ilha de Saadiyat, será inaugurado em 2026.