Obras de arte são saqueadas e destruídas pelas tropas russas na Ucrânia

Obras de arte são saqueadas e destruídas pelas tropas russas na Ucrânia

Escrito em 04/05/2022

Confiscando mais de 2000 obras de arte e bombardeando museus, os prejuízos humanos e culturais da guerra são inestimáveis
Imagem do interior do Museu de Arte Kuindzhi após bombardeios durante  aguerra da Ucrania.
Imagem do interior do Museu de Arte Kuindzhi após bombardeios.

Até agora as tropas russas já saquearam mais de 2000 obras de arte de museus ucranianos na devastada cidade portuária de Mariupol, durante a guerra da Ucrânia. As obras confiscadas foram levadas à Donetsk, uma cidade industrial localizada em uma região separatista apoiada pela Rússia. 

Além do confisco, as ações russas continuam a colecionar destruição de patrimônios culturais. No fim de fevereiro deste ano, o Museu de História Local de Ivankiv, localizado na região da capital ucraniana Kiev, foi alvo de bombardeios russos. Cerca de 25 obras de uma das principais artistas da Ucrânia, Maria Primachenko (1909-1997), foram destruídas entre outras perdas inestimáveis. 

Trabalho de Maria Primachenko, de 1982

Em março, o Museu de Arte Kuindzhi, dedicado ao pintor realista Arkhip Kuindzhi e localizado em Mariupol, foi atingido por ataques aéreos russos, de acordo com Konstantin Chernavsky, presidente da União Ucraniana de artistas. O museu possuía mais de 200 obras de arte de artistas ucranianos do século XX em sua coleção. 

Noite, Arkhip Kuindzhi, 1908.

Apesar de três obras originais de Kuindzhi terem sido removidas do museu antes dos ataques, há informações que alegam que elas foram entregues às tropas russas por Natalia Kapustnikova, diretora do Museu de História Local de Mariupol, que sabia exatamente onde as obras estavam escondidas. A ação de Kapustnikova foi uma tentativa de salvar as obras dos bombardeios, já que a  instituição dirigida por ela também foi fortemente atingida no fim do mês passado, perdendo cerca de 95% de seu acervo.

Indignado, o prefeito de Mariupol prometeu recuperar a herança cultural perdida e alega estar preparando os materiais necessários para que as agências jurídicas possam iniciar procedimentos criminais e fazer um apelo à Interpol.