Fragmentos poéticos de Miguel Rio Branco na Galeria Millan

Fragmentos poéticos de Miguel Rio Branco na Galeria Millan

Escrito em 10/03/2022

Espaço abre no mesmo dia, 12 de março, a primeira individual do artista paraguaio Feliciano Centurión no Brasil

“A mostra é um diálogo entre imagens sem lugar nem tempos específicos. Do pictórico ao simbólico, longe dos temas que são em geral a sina de quem pensa fotografia e sempre a relaciona a um lugar, a uma época, a um documento, a uma proposta social”, afirma Miguel Rio Branco sobre Sem palavras, só pintura, sua nova exposição na Galeria Millan, que abre no próximo sábado, dia 12.3. 

Azul e cinza com marca verde, 1994, Miguel Rio Branco
Azul e cinza com marca verde, 1994, Miguel Rio Branco

Fotógrafo, diretor de cinema e criador de instalações multimídia, Rio Branco mantém-se como um dos nomes mais relevantes da fotografia no Brasil. Entre a arte, a fotografia e o cinema, desenvolveu um trabalho documental de forte carga poética, explorando, por meio de paisagens ou figuras marginalizadas, temas como a passagem do tempo, a violência, a sensualidade e a morte. 

Blue eyes e basketball, 1994, Miguel Rio Branco
Blue eyes e basketball, 1994, Miguel Rio Branco

A exposição na Millan será composta por 37 fotografias, fragmentos que não revelam o todo pois são completos em si mesmos, enfatizando o olhar do olhar do artista sobre o cotidiano e a justaposição de imagens que formam uma escrita visual. Como o próprio nome da mostra indica, a linguagem fotográfica aparece acima de qualquer assunto ou narrativa externa à imagem. 

Fumando na abstração, 2001, e Roda de bicicleta na curva, 1994, Miguel Rio Branco

No mesmo dia, a galeria inaugura Feliciano Centurión: Beleza cotidiana, primeira individual do artista paraguaio no Brasil. Com curadoria de Dominic Christie, a exposição apresenta peças em tecido organizadas em três núcleos temáticos: Fauna e Flora, Iconografia Religiosa e Espiritual, e Materialidade.

Sem título (Cherry tree), s.d., Feliciano Centurión
Sem título (Cherry tree), s.d., Feliciano Centurión

O artista (1962-1996), ainda pouco reconhecido, garimpava em feiras cobertores infantis, aventais, almofadas e realizava neles intervenções manuais com bordados e crochê, processo que remonta ao ambiente doméstico, infantil, afetivo e majoritariamente associado às mulheres, além de evocar a cultura popular. Figuram em seus trabalhos referências da iconografia cristã, da fauna e da flora nativas da região subtropical do Paraguai. 

Sem título (Deer), s.d., Feliciano Centurión
Sem título (Deer), s.d., Feliciano Centurión

O contexto cultural de Buenos Aires, para onde mudou-se com a família durante os anos 1980, permitiu que Centurión explorasse livremente sua sexualidade, tema também presente em sua obra. Quando foi diagnosticado com HIV positivo, passou a desenvolver uma espécie de diário de bordados sobre pequenos travesseiros. Confessionais, seus trabalhos não excluem referências mais amplas e sutis do contexto político e social paraguaio e argentino, que passavam por uma frase de redemocratização. 

Sem palavras, só pintura e Feliciano Centurión: Beleza cotidiana

Data: 12 de março a 9 de abril 

Local: Galeria Millan e Anexo Galeria Millan 

Endereço: r. Fradique Coutinho, 1360 e 1416

Funcionamento: segunda a sexta, das 10h às 19h; aos sábados, das 11h às 15h

Ingresso: grátis