MAC USP é pioneiro no Brasil na incorporação de NFT ao acervo

MAC USP é pioneiro no Brasil na incorporação de NFT ao acervo

Escrito em 08/03/2022

Parte da mostra Lugar-comum do MAC USP, NFT Von Britney de Gustavo Von Ha é o primeiro a integrar acervo de museu brasileiro

O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC USP incorporou o NFT Von Britney, de Gustavo Von Ha, ao seu acervo de obras de arte, tornando-se o primeiro museu do Brasil a fazê-lo. A obra do tipo NFT (token não-fungível) é produto de um trabalho de pesquisa e experimentação de Von Ha nas mídias sociais, em que se apropriou de uma imagem da cantora Britney Spears que é utilizada frequentemente como meme nas redes sociais.

Das Lamentações. Nina Moraes, 1999.
Das Lamentações. Nina Moraes, 1999.

A obra Von Britney, que compõe a nova exposição do museu, Lugar-Comum, amplia, de acordo com a curadora do MAC, Ana Magalhães, “a discussão mais ampla que o artista tem abordado sobre autenticação e autoria de obras de arte, como podemos observar no conjunto de obras do artista que o Museu já possui”.  A aquisição do MAC USP representa “um novo capítulo no pioneirismo do Museu no colecionamento de novas mídias e obras nato-digitais”. Von Britney foi doada ao museu pela plataforma Tropix.

A exposição, por sua vez, é construída como um work in progress: de maneira colaborativa, reúne curadores e artistas para construir uma nova abordagem sobre o acervo do museu, e se realiza ao longo de três atos a serem apresentados em um período de cinco meses. Cada ato consiste em um experimento de curadoria compartilhada entre curadoras, artistas e interlocutores convidados.

Sem título. Carmela Gross, 1992.
Sem título. Carmela Gross, 1992.

O primeiro ato, a ser inaugurado em 12 de março, traz 15 obras do acervo do Museu selecionadas por parte das curadoras Ana Magalhães, Helouise Costa e Marta Bogéa. Os trabalhos são dos artistas Carmela Gross, Ding Musa, Emmanuel Nassar, Jessica Mein, Laércio Redondo, Marcelo Zocchio, Nina Moraes, Rodrigo Bivar, Rogério Ghomes, Rommulo Vieira Conceição, Rosângela Rennó e Gustavo Von Ha.

O segundo ato, que abrirá em 9 de abril, traz a reflexão dos artistas a respeito de suas obras. Nessas reflexões, haverá diálogo com os convidados Claudinei Roberto, Claudio Mubarac, Paulo Pasta, Paulo Garcez, Regina Silveira e Tadeu Chiarelli, e a partir desse encontro os artistas irão selecionar outras obras do acervo do Museu. Essas obras serão inseridas na exposição, passando a proporcionar novas narrativas por meio de interlocuções ou contrapontos com as obras já expostas. O objetivo é gerar outros sentidos não previstos originalmente.

Equação #5. Marcelo Zocchio, 2017.
Equação #5. Marcelo Zocchio, 2017.

Finalmente, a partir de 20 de agosto, todo o grupo envolvido na exposição selecionará coletivamente as obras que completam o conjunto, finalizando-se o processo da exposição.

Por meio desse método, o objetivo do MAC USP é desnaturalizar a autoridade curatorial do museu, a relação entre arte e vida e as formas possíveis para renovar o acervo de uma instituição por meio da construção de novas leituras – que surgem de novos diálogos possíveis entre diferentes modos de ver o mundo.

Lugar-comum

Local: Museu de Arte Contemporânea – MAC USP

Endereço:  Av. Pedro Álvares Cabral, 1301 – Vila Mariana, São Paulo – SP.

Funcionamento: Terça a domingo das 11h às 21h.

Datas: ATO 1: 12 de março 2022; ATO 2: 09 de abril 2022; ATO 3: 06 de agosto 2022.

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