Coletânea em Mônaco desafia a concepção única e gendrificada do corpo

Coletânea em Mônaco desafia a concepção única e gendrificada do corpo

Escrito em 26/02/2022

Hauser & Wirth inaugura coletiva com obras que usam técnicas diversas para reenquadrar abordagens do corpo e da sexualidade
Sem título. Lee Lozano, 1962.
Sem título, 1962, Lee Lozano.

A exposição coletiva Bodily Abstractions / Fragmented Anatomies, aberta na Hauser & Wirth Monaco, traz obras de diversos artistas cujo trabalho aborda o corpo e sua anatomia de formas complexas, por meio de graus variados de abstração ou fragmentação.

Com diferentes técnicas, os artistas praticam a subversão da representação tradicional dos corpos na arte e as convenções em torno do tema. A curadoria busca dar destaque ao trabalho de mulheres artistas, mas simultaneamente inclui trabalhos que desafiam os próprios estereótipos de gênero, a binariedade e as categorias que tendem à cisgeneridade em favor da fluidez de gênero – constantemente exprimida por meio da fluidez da forma corporal.

Vista da instalação. Hauser & Wirth Monaco, 2022. Foto: François Fernandez.
Vista da instalação. Hauser & Wirth Monaco, 2022. Foto: François Fernandez.

A exibição foi inspirada no ensaio The Body in Pieces: The Fragment as a Metaphor of Modernity, de Linda Nochlin, e revisita ideias de força, sexualidade, fragilidade, doença, amor, violência e sensibilidade – relacionando-as ao corpo gendrificado. Para construção dessa narrativa, estão presentes trabalhos de grandes nomes dos séculos 20 e 21, como Louise Bourgeois, Berlinde de Bruyckere, Ellen Gallagher, Eva Hesse, Lee Lozano, Anna Maria Maiolino, Christina Quarles, Cindy Sherman, Pipilotti Rist e Alina Szapocznikow.

Ao comentar o trabalho de Louise Bourgeois e Cindy Sherman, a própria Nochlin argumentou que: “o corpo pós-moderno, do ponto de vista dessas artistas e muitas outras, é concebido unicamente como o ‘corpo-em-pedaços’: a própria noção de um sujeito de gênero designado, unificado e desprovido de ambiguidades é tida como suspeita em seu trabalho”.

Sem título. Eva Hesse, 1960.
Sem título, 1960, Eva Hesse.

A exposição conta com grande variedade de estéticas e técnicas, subvertendo a fetichização do corpo feminino ou que tem seu gênero atribuído de forma tradicional, ou mesmo sua redução a partes sexualizadas e aparências superficiais. Tais práticas são, assim, substituídas por corpos que expressam sentimentos interiores, estados psicológicos profundos e o intelecto humano.

Bodily Abstractions / Fragmented Anatomies

Data: até 30 de abril

Local: Hauser & Wirth Monaco

Endereço: One Monte-Carlo, Place du Casino, 98000 Monaco

Funcionamento: terça a sábado, das 10h às 18h

Ingresso: grátis