34ª Bienal de São Paulo tem discussões sobre as relações e sobre a opacidade

34ª Bienal de São Paulo tem discussões sobre as relações e sobre a opacidade

Escrito em 04/09/2021

Mais de 1100 obras de 91 artistas de países de todos os continentes ocupam o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque do Ibirapuera, com visitação até 5 de dezembro
Sala com obras de Daiara Tukano. Ao centro, Espelho da Vida, 2020 © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo

A 34ª Bienal de São Paulo abre tem abertura de sua exposição principal para o público neste sábado, 4 de setembro, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque do Ibirapuera, com visitação até 5 de dezembro. Adiada por causa da pandemia, a mostra reúne mais de 1100 obras de 91 artistas de todos os continentes. A curadoria desta Bienal ficou por conta de Jacopo Crivelli Visconti (curador geral), Paulo Miyada (curador-adjunto), e Carla Zaccagnini, Francesco Stocchi e Ruth Estévez (curadores convidados).

O título, verso emprestado de poema presente em Madrugada Camponesa (1965) do poeta amazonense Thiago de Mello, traz uma mensagem de resistência e luta diante dos tempos complicados que o Brasil vive: Faz escuro mas eu canto. É uma declaração que se coloca como uma afirmação de insatisfação diante do atual momento, especialmente no que diz respeito ao cenário político com o governo Bolsonaro, que ao longo dos últimos anos instaurou crises em diversos setores, inclusive na cultura.

Fachada do Pavilhão Ciccillo Matarazzo com obra de Paulo Naza

Na coletiva de imprensa que aconteceu no Auditório Jorge Wilheim, no edifício da Bienal, o presidente da Fundação Bienal de São Paulo, José Olympio da Veiga Pereira, falou aos jornalistas sobre a felicidade de estar realizando o evento e mantendo o projeto original com algumas alterações. Isso porque a extensão no espaço que previa exposições em parceria com uma rede de várias instituições culturais da cidade sofreu algumas modificações, algumas delas sendo canceladas e outras mantidas com adiamento. “A ideia da rede está presente, temos hoje cerca de 20 instituições com exposições relacionadas à Bienal”, comentou e citou a individual de Regina Silveira, no Museu de Arte Contemporânea da USP, e a de Antonio Dias, no Instituto de Arte Contemporânea. Olympio também frisou a importância da colaboração entre instituições diferentes, com visões diferentes, se reunindo em torno de um único projeto. O curador-geral, Jacopo Crivelli Visconti, chamou atenção para o fato de que essa questão da rede de instituições responde a uma vontade de dialogar com os muitos públicos que visitam a Bienal, que no geral é o público que frequenta as mostras realizadas por essas instituições no decorrer dos anos.

Outro ponto levantado pelo presidente foi a preocupação da organização em relação aos protocolos de segurança contra a Covid-19. Com assessoria do Hospital 9 de Julho, foi constatado que não há necessidade de agendamento prévio para visitação, tendo em vista que a extensão do pavilhão permite uma capacidade grande de pessoas em cada piso com bastante distanciamento. Apesar disso, uma orientação de limitação de público será seguida. A Bienal exige, porém, a apresentação de um comprovante de vacinação conta a Covid-19 para acessar o prédio. O visitante deverá ter de forma impressa (com o cartão de vacinação) ou virtual (via app ConecteSUS ou Poupatempo Digital) o atestado de que tomou pelo menos a primeira dose do imunizante. Segue a obrigatoriedade básica do uso de máscara e a orientação de distanciamento. Ao longo do pavilhão, diversos totens com álcool em gel foram instalados.

Nessa primeira apresentação a imprensa participou também Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, um dos maiores patrocinadores da Bienal de SP. Sua fala teve certo teor político na defesa do setor cultural, destacando a importância da retomada das atividades do segmento, e também se debruçou sobre os efeitos da pandemia na educação, na cultura e na saúde mental. O avanço da ciência, da saúde e da vacina também esteve na fala de Saron.

Vista interna a partir do terceiro andar.





© Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo